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La Coctelera

The Blunt of Judah - A Cannabis e o Mundo

mídia · conscientização · auto-conhecimento

Categoría: Artigos

10 Diciembre 2006

Estudo questiona papel da maconha como ´porta´ para drogas

Os pesquisadores envolvidos acompanharam 214 meninos, a partir da faixa etária dos 10 anos, por 12 anos, analisaram a evolução do uso de drogas em cada um

WASHINGTON - A maconha não é a "porta de entrada" das drogas, a substância cujo uso permite prever, ou inevitavelmente leva, ao abuso de outras drogas, sugere estudo realizado, ao longo de 12 anos, pela Universidade de Pittsburgh.

Os pesquisadores envolvidos no projeto acompanharam 214 meninos, a partir da faixa etária de 10 a 12 anos, todos os quais, cedo ou tarde, usaram drogas lícitas ou ilícitas. Ao chegar aos 22 anos, os meninos foram separados em três categorias: os que só usavam álcool ou tabaco; os que usaram álcool ou tabaco antes da maconha ("seqüência porta"); e os que usaram maconha antes de usar álcool ou tabaco ("seqüência reversa").

Cerca de um quarto dos meninos estudados que usaram tanto drogas lícitas quanto ilícitas - 28 - exibiram o padrão reverso, de usar maconha antes de passar para as drogas lícitas. Esses indivíduos não mostraram maior chance de desenvolver um problema ligado ao abuso de substâncias do que os que seguiram a progressão tradicional de álcool e tabaco antes da droga ilícita, de acordo com o estudo, que aparece na edição deste mês do American Journal of Psychiatry.

"A seqüência porta é o padrão mais comum, mas certamente não é o único", disse o principal autor do trabalho, Ralph E. Tarter. "De fato, o padrão reverso é tão bom quanto para prever quem pode correr risco de desenvolver dependência".

A teoria da "porta de entrada" sugere que cada tipo de droga está associado a certos fatores de risco que estimulam o uso da próxima droga, como álcool e cigarro levando à maconha, e a maconha a drogas mais pesadas. Mas o estudo de Tarter indica que os aspectos ambientais têm uma influência mais forte sobre o tipo de substância que acaba sendo usado.

http://www.estadao.com.br/ciencia/noticias/2006/dez/04/161.htm

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10 Diciembre 2006

Minha bolsa alcânave

Não me recordo se já contei aqui por que troquei minha bolsa alcânave por uma mochila de dez tostões, comprada um dia desses no camelô de miudezas mais antigo de Marechal Hermes. E com direito a brinde: um guarda-chuva de fabricação chinesa, que, pelo jeitão dele, deve durar até a primeira rajada de vento mais forte. (Querem saber o preço só do guarda-chuva? Um real.)

Falei em tostões, mas o fato é que paguei cinco reais pela mochila, uma verdadeira fortuna para este cronista de internete, atualmente devoto incondicional de Santa Edwiges.

O problema com minha bolsa alcânave — ou de cânhamo, ou semelhante ao cânhamo, como quiserem — é o pouco espaço que ela tem para obras literárias. E não dá mais para sair de casa sem o meu biodiesel livresco, no encalço de bons ouvintes, para divulgar os nossos melhores autores e fazer a apologia do hábito de ler (devem lembrar que em "Sebo de boteco" mencionei que o brasileiro lê menos de dois livros por ano, um absurdo). Como pregar com o exemplo, exigência vieirista e nietzschiana, sem deixar que os transeuntes me vejam, aqui e ali, encornado nas páginas de um bom livro, ou folheando três ou quatro ao mesmo tempo para chamar a atenção?

Portanto, como anunciado nos alto-falantes de estádios durante as partidas de futebol, sai a bolsa alcânave e entra a mochila de dez tostões. A primeira continua sendo o grande barato que sempre foi, mas para carregar livros não serve.

No entanto não é justo que ela vá para o fundo do guarda-roupa sem ganhar uma crônica de presente. Devo-lhe muitos momentos felizes, sobretudo quando ainda morava no Jardim Carioca e freqüentava o Princesinha da Ilha, um bar-restaurante à beira do calçadão do Cacuia, onde só passa mulher bonita. Quantas e quantas não conheci por causa de minha bolsa alcânave... Eu ficava invariavelmente à porta do estabelecimento, curtindo a grande movimentação diuturna desse bairro insulano, e as belezuras sempre paravam, curiosas, tagarelas, querendo botar a mão (na bolsa, na bolsa...), fazendo mil comentários entre si. Enchiam-me de perguntas: Onde comprou? Foi caro? Tinha muitas? Eles fazem em quantas vezes? Tinha também sem ser a tiracolo? Não é apologia da maconha? É coisa do Fernando Gabeira? Dá cadeia? Dá morte?

Matei muito homem de inveja com aquele mulherio todo à minha volta, mas confesso humildemente que não comi ninguém, não por causa disso. Os grupos de mulheres que paravam para examinar minha bolsa alcânave formavam-se e desfaziam rapidamente, como se eu estivesse atrás de um tabuleiro fazendo demonstração de artigos femininos. Como paquerar todas elas? No máximo, troca de e-mails e números de telefone, mas nunca de endereços, e muito menos marcação de encontros. Está-se vendo que não queriam nada com o dono da bolsa. Fosse aquele um tempo de vacas magras, como agora, e teria levantado uma grana de respeito leiloando a coitada no meio daquela turma frenética.

Águas passadas.

Vá para o seu armário, querida bolsa. Aqui fica a crônica, e certamente todo o carinho que minhas leitoras sentirão por você. E, sobretudo, não queira nenhum mal à mochila de dez tostões, que não é mesmo uma usurpadora. Ela não fazia a menor idéia da sua existência, e só entra em cena por uma boa causa.

http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=13049&editoria_id=12

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10 Diciembre 2006

Drogas leves e tabaco podem levar à amputação de membros

Vários estudos demonstraram que, para além do uso intravenoso, o uso oral, tanto de drogas como de tabaco, pode conduzir à amputação de um braço ou de uma perna.
O consumo de drogas leves como cannabis, haxixe e ecstasy representa mais riscos do que era possível calcular até ao momento. A comunidade médica e científica já sabia que o consumo de drogas de uso intravenoso, como a cocaína e a heroína, representava uma grande ameaça à saúde vascular dos consumidores. A novidade agora é que tanto a ingestão de drogas leves como de tabaco podem provocar os mesmos problemas, levando mesmo à amputação de um membro. As conclusões são de Armando Mansilha, médico-cirurgião, professor e investigador na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e coordenador do European Registry of Training Centers (EuReg-Vasc) e estão publicadas no capítulo "Management of vascular complications of drug abuse" do livro Vascula-surgery Highlights - Expert Reviews on Current Research.

Segundo Armando Mansilha, "o consumo é dividido de duas formas: por agressão directa, quando as drogas são injectáveis, provocando complicações locais, e por agressão indirecta, através do efeito tóxico provocado pelo consumo da droga".

De acordo com informação divulgada pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, a mistura de substâncias associadas às drogas de uso intravenoso

leva a que o nível de toxicidade vascular directa seja muito elevado. Esta agressão provoca diversas complicações arteriais e vasculares podendo mesmo conduzir a uma isquemia aguda (falta de oxigénio, que resulta em morte celular, podendo gerar gangrena e levar à amputação dos membros). Segundo estes estudos agora divulgados a nível mundial, o consumo de drogas leves e tabaco pode causar as mesmas patologias. Actuando de forma lenta, mas progressiva, pode provocar toxicidade vascular indirecta e gerar isquemia crónica (morte celular lenta e contínua).

Tal como explica Armando Mansilha, estes riscos dependem sempre "da dosagem e regularidade do consumo". Naturalmente, "quanto maior é o consumo, maior é o risco", mas, segundo o investigador, "é difícil quantificar" porque o consumo de droga "é como o tabaco em termos de efeitos".

O médico-cirurgião não hesita em comparar o tabaco às drogas e explica que, ambos, por si só, "podem levar à amputação de um membro superior ou inferior como um braço ou uma perna".

De acordo com o investigador, seria possível prevenir estas patologias e impedi-las de chegar a uma situação-limite porque "há sinais que podem fazer prever que [o estado do toxicodependente] vai evoluir num sentido mau", como, por exemplo, o paciente "não conseguir caminhar mais de um determinado número de metros". No entanto, pela sua experiência enquanto médico, Armando Mansilha comprova que os toxicodependentes "só procuram consulta numa fase muito avançada" em que, na maioria das vezes, já não é possível tratar o problema. Na sua opinião, muitos casos graves "não chegam ao conhecimento [do médico] porque ou a doença não avança ou os toxicodependentes têm outro fim pior, de outra maneira".

Segundo Armando Mansilha, há doentes que "chegam numa situação tal, que não há outra alternativa senão amputar-lhes um membro". Sobretudo em relação ao consumo de tabaco, o médico e investigador refere que os pacientes têm "uma reacção de grande surpresa porque não faziam ideia que existia uma relação directa" entre o tabaco e patologias graves como estas.

Na opinião deste cirurgião, a divulgação destes estudos representa "uma forma de informação e alerta" para o público em geral e, em particular, para os jovens em cuja faixa etária há indicações do aumento do consumo de drogas leves. Para Armando Mansilha, esta é "uma forma de dizer que existem mais riscos de consumir droga do que aqueles que conhecemos".

http://www.educare.pt/educare/Detail.aspx?contentid=33500983A88B4ADD846181CB879FE397&channelid=1EE474ED3B3E054C8DCFD48A24FF0E1B&schemaid=&opsel=1

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26 Noviembre 2006

Maconha

O que é a maconha?

A maconha é o nome dado no Brasil ao vegetal Cannabis sativa, também conhecida popularmente como: marijuana, fumo, bagulho, manga rosa, liamba, mulatinho. Os primeiros relatos de sua presença no Brasil datam do século XVIII para a produção de fibras. No entanto acredita-se que a planta já existe há mais tempo utilizada pelos escravos. A planta Cannabis sativa produz mais de 400 substâncias químicas. Uma delas é o THC (tetrahidrocanabinol ) que é a principal responsável pelos efeitos da maconha.

Como a maconha é utilizada?

As flores e folhas secas da maconha podem ser fumadas ou ingeridas, sendo que a forma mais comum é a fumada. Nesse primeiro caso a maconha é absorvida por via pulmonar e atinge o Sistema Nervoso Central (cérebro) em apenas alguns segundos e, utilizada por via oral sua absorção é lenta, de 30 a 60 minutos.

O que é hashishe (ou hachiche)? e skank (skunk)?

O hashishe é uma forma concentrada da maconha, com a forma de uma bolota. A pessoa pode engolir a bolota ou pode fuma-la. O hashishe é bem mais potente que as folhas e flores da maconha. O skunk nada mais é do que uma variedade da planta que foi selecionada para produzir uma quantidade bem maior de THC. É claro, portanto, que o skunk é mais potente que a maconha comum.

Por que as pessoas usam Maconha?

Não podemos dizer que todos que fumam maconha querem sentir as mesmas coisas, mas alguns dos efeitos buscados podem ser: Tranqüilidade, pois muitos do que usam maconha se sentem mais calmos e relaxados; Diversão e descontração, a pessoa ri por qualquer motivo; Busca de um maior prazer sexual (isto não ocorre, na verdade); Maior sensibilidade ao som (ficar curtindo uma música por exemplo), Maior sensibilidade ao gosto (a famosa "larica"); Ficar "morgando", que se caracteriza pela vontade de não fazer nada; Ficar "viajando" em algum objeto, pois a sensibilidade visual fica aumentada.

Quantas pessoas usam Maconha?

Muita gente no mundo inteiro. Por exemplo em um levantamento de 1999 sobre uso de drogas na população do Estado de São Paulo mostrou que 6,4% já havia experimentado a maconha. Em quatro levantamentos de consumo entre os estudantes das 10 maiores capitais do Brasil revelou que 7,6% (em 1997) dos estudantes a haviam experimentado pelo menos uma vez.

O que a maconha faz no corpo após uma dose (efeitos físicos agudos)?

Os efeitos físicos agudos não são muitos : os olhos ficam ligeiramente avermelhados (hiperemia das conjuntiva ), a boca fica seca (xerostomia) e o coração dispara (os batimentos, de 60 a 80 por minuto, podem chegar a mais de 120).

O que a maconha faz no corpo com o uso contínuo (efeitos físicos crônicos)?

Os efeitos crônicos da maconha são mais graves. No homem o uso prolongado de maconha pode provocar uma diminuição da testosterona (hormônio que confere ao homem maior quantidade de músculos, a voz mais grossa, barba, também é responsável pela fabricação do espermatozóides). Na mulher pode trazer alterações hormonais chegando até a inibição da ovulação. O uso contínuo pode afetar também os pulmões (a fumaça é muito irritante), sendo comum os problemas respiratórios, principalmente a bronquite. Animais de laboratório expostos cronicamente à maconha passam a apresentar maior incidência de câncer do que animais controles.

O que a maconha faz com a mente após uma dose (efeitos psíquicos agudos)?

Os efeitos psíquicos agudos dependerão da qualidade da maconha fumada e da sensibilidade de quem fuma. Para uma parte das pessoas, os feitos correspondem a uma sensação de calma e relaxamento, menos cansaço e vontade de rir. Para outras, ao contrário, os efeitos são desagradáveis: tremor, sudorese, sensação de angústia, medo de perder o controle mental (bad trip/ má viagem, bode).

A percepção do tempo e do espaço ficam prejudicadas. Assim, uma pessoa ao dirigir após ter usado maconha, pode facilmente calcular errado na hora de fazer uma ultrapassagem, causando assim um acidente. Há também uma perda da memória que, iremos abordar em um outro tópico.

O que a maconha faz com a mente depois de um período de uso crônico (efeitos psíquicos crônicos)?

Os efeitos psíquicos crônicos da maconha, provocado pelo uso continuado, interferem na capacidade de aprendizagem e de memorização, podendo induzir a um estado de diminuição da motivação. Nesse caso, a pessoa não sente vontade de fazer mais nada, tudo parece ficar sem graça e sem importância. Há também provas científicas de que, se o usuário tem uma doença psíquica, mas que ainda está "sob controle", ou já se manifesta, mas está controlada por medicamento, a maconha piora o quadro, pois ela pode anular o efeito do medicamento ou ser o "estopim" que faria a doença se manifestar.

A maconha afeta o desempenho na escola?

Imagine uma pessoa que fumou maconha e vai assistir uma aula de matemática. Pense na dificuldade que vai ser para essa pessoa organizar ás idéias de uma forma lógica já que, como vimos, a maconha afeta a atenção, concentração, motivação e memória. Com certeza o desempenho na escola ou em quaisquer outras atividades que exijam esses quesitos vão ser prejudicadas.

A maconha leva ao uso de outras drogas?

Não necessariamente. O que ocorre na verdade (e que leva a essa noção equivocada de que a maconha seria a porta de entrada para outras drogas) é uma hierarquia na experimentação e no uso por parte das pessoas. Raramente alguém começa a usar direto cocaína sem ter pelo menos experimentado alguma bebida alcoólica ou cigarro (que são drogas legais mas que, podem também causar sérios problemas). Se uma pessoa tiver vontade de provar mais alguma coisa, é provável que ela experimente, dentro das drogas ilegais, primeiro a maconha, por ser mais barata e disponível. Mas não há nada de intrínseco (que pertença á ela) nessa substância que obrigue a pessoa a depois usar algo mais pesado e assim sucessivamente.

É possível reconhecer alguém que usa Maconha ?

Às vezes. Por exemplo, quando a pessoa tem os olhos avermelhados e a boca seca. Mas muitas vezes uma pessoa pode ter uma ou mesmo as duas coisas, sem nunca ter fumado maconha.

A maconha pode ser usada como remédio?

Apesar de seus efeitos tóxicos e sua ilegalidade de consumo no Brasil, há relatos até antigos dos efeitos terapêuticos da maconha .Nos dias de hoje a maconha é reconhecida como medicamento em pelo menos 3 condições clínicas : Reduz ou abole as náuseas e vômitos produzidos por medicamentos anticâncer; Tem efeitos benéficos em alguns casos de epilepsia (doença que se caracteriza por convulsões ou ataques); e, Pode melhorar o estado geral de doentes de AIDS (mas não cura a doença).

A pessoa pode usar maconha quando está grávida?

Nenhuma substância que cause algum tipo de intoxicação deve ser usada pela mulher quando estiver grávida (e no período de amamentação), pois isso prejudica o feto que está em desenvolvimento. Assim como o cigarro, álcool, remédios (que não receitados pelo médico), a maconha e outras drogas não podem ser usadas.

A maconha causa dependência?

Algumas pessoas podem desenvolver dependência e outras não. Isto vai depender da pessoa e seus problemas e do tempo e quantidade de uso. Infelizmente não podemos saber quais são essas pessoas pois, a dependência está ligada a uma série de fatores que vão variar muito de pessoa para pessoa.

As pessoas podem parar de usar maconha?

Sim. Algumas pessoas param sozinhas, outras precisam de ajuda, mas de uma forma ou de outra o importante é saber que, se a pessoa quiser ela pode parar.

A maconha causa tolerância?

O uso contínuo da maconha pode levar ao fenômeno de tolerância. Por exemplo: se antes a pessoa com 1 baseado ficava "legal", agora ela precisa fumar mais para ficar "legal" do mesmo jeito. No entanto, a tolerância no caso da maconha demora muito para acontecer.

O que acontece se uma pessoa for surpreendida usando maconha?

A maconha no Brasil é considerada um droga ilícita e, como tal, se uma pessoa estiver usando maconha e for surpreendida ( mesmo que não esteja causando nenhuma tipo de problema ou dano a alguém) ela vai ser punida de acordo com a lei.

O que acontece se uma pessoa for surpreendida levando maconha para usar junto com amigos?

Como foi dito acima, o problema é que não interessa se a pessoa vai usar em casa com um amigo para ficar curtindo um som, ou se ela vai usar com os amigos numa festa, situações estas que aparentemente não estariam prejudicando a ninguém. A maconha é uma droga ilícita e a pessoa que a estiver levando para usar com amigos poderá ser enquadrada como traficante pela nossa lei que, nesses casos é de um rigor extremo, colocando um usuário na mesma condição de um traficante de verdade.

A maconha afeta a memória?

Sim. A maconha prejudica principalmente a memória a curto prazo; exemplificando: Vamos supor que alguém esteja em casa com um amigo e vão pedir uma pizza, ela olha o telefone na caderneta e, quando começa a discar já se esqueceu o número que acabou de olhar, tendo que consultar novamente a caderneta. Obviamente que nesse caso não há grandes prejuízos, mas, se a pessoa estivesse em seu trabalho ou estudando e necessitasse de uma atenção maior, com certeza estaria tendo problemas.

A maconha afeta o desempenho sexual?

A maconha não afeta diretamente o desempenho sexual mas, como já foi visto ela trás tanto para o homem quanto para a mulher alterações hormonais que podem resultar em problemas. Além do mais, a maconha produz tantas alterações mentais que pode tirar a concentração necessária durante o ato sexual.

http://www.unifesp.br/dpsicobio/cebrid/quest_drogas/maconha.htm

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26 Noviembre 2006

Uso de maconha na adolescência e risco de esquizofrenia

Karla Soares-WeiserI; Mark WeiserII; Michael DavidsonIII

IDepartment of Social Work, Bar Ilan University. Ramat Gan, Israel
IISheba Medical Center. Tel Hashomer, Israel
IIISackler School of Medicine, Tel Aviv University, Ramat Aviv, Israel

O abuso de maconha entre adolescentes dos países desenvolvidos vem aumentando significativamente nas últimas decadas. Uma das possíveis explicações para esse fato é a percepção de que a maconha é uma "droga leve", sem muitas conseqüências para a saúde do indivíduo, em contraste com outras drogas ilícitas. Na população brasileira, recente pesquisa da SENAD (Secretaria Nacional Antidrogas) demonstrou que 9% dos adolescentes já utilizaram maconha pelo menos uma vez.1 Esse conceito, no entanto, tem sido contestado por recentes estudos longitudinais realizados na Europa e na Nova Zelândia2-5, que demonstraram uma associação positiva, numa curva de dose-efeito, entre o uso de maconha durante a adolescência e um risco aumentado do diagnóstico de esquizofrenia no futuro. Isso nos alerta para o fato de que o uso "inocente" de drogas durante a adolescência pode estar associado a importantes efeitos adversos a longo prazo.

É um fato bem estabelecido que pacientes esquizofrênicos tendem a fazer uso abusivo de drogas, o que tem sido relacionado a uma necessidade de auto-medicação para sintomas tão pertubadores. O que se observa em relação à maconha, contudo, é que muitas vezes o início do uso precede o aparecimento de sintomas esquizofrênicos. Isso levou alguns investigadores a hipotetizar que possivelmente o abuso de maconha funcionaria como um fator de risco para o desenvolvimento de sintomas esquizofrênicos em indivíduos vulneráveis.2-5

O primeiro desses estudos, descrevendo uma associação temporal entre o uso de maconha e a manifestação de sintomas esquizofrênicos, foi realizado na Suíça com 50 mil jovens.2, 3 Depois de um seguimento de 15 anos, o uso de maconha durante a adolescência foi associado a um risco aumentado de esquizofrenia numa curva de dose-efeito.2 Entretanto, problemas sobre a validade diagnóstica e o possível efeito aditivo de outras drogas colocaram em questionamento os resultados preliminares desse estudo. Levantou-se também, baseado nos resultados desse estudo, a possibilidade de que os pacientes esquizofrênicos faziam uso de maconha para se auto-medicar. Numa segunda análise, publicada recentemente sobre a base de dados suíça, após 26 anos de seguimento, todos esses problemas iniciais foram levados em conta.3 Os resultados confirmam os achados iniciais de que o uso de maconha está associado com diagnóstico de esquizofrenia no futuro.3 Mais ainda: esse segundo estudo demonstrou uma associação positiva, numa curva de dose-efeito, e que a associação com o aparecimento de sintomas esquizofrênicos era menos consistente com o uso de outras drogas ao invés de maconha.3

Esses achados foram replicados em outros dois estudos realizados na Holanda e na Nova Zelândia. O primeiro estudo, também longitudinal, foi realizado numa população de 4.045 adolescentes e demonstrou um aumento de quase três vezes no risco de sintomas psicóticos em adolescentes que relataram uso frequente de maconha.4 No segundo estudo, com desenho de coorte com mais de mil adolescentes seguidos desde o nascimento, os jovens que relataram uso de maconha apresentaram uma chance quatro vezes maior de serem diagnosticados como portadores de transtorno esquizofreniforme aos 26 anos de idade.5

Apesar de apenas esses quatro estudos longitudinais terem sido realizados até o presente, os achados são consistentes e corroboram o argumento de que o uso de maconha apresentaria interação com outros fatores de risco, culminando na manifestação dos sintomas de esquizofrenia em indivíduos vulneráveis; além disso, os resultados desencorajam a hipótese de que a associação entre maconha e transtornos esquizofrênicos se deveria somente à auto-medicação. No entanto, não está claro, baseado nos achados atuais, se o uso da maconha seria responsável por iniciar os sintomas esquizofrênicos ou se causaria sintomas esquizofrênicos em pessoas não-vulneráveis.

É importante salientar o fato que não há nenhuma evidência na literatura de que o uso ocasional de maconha poderia provocar efeitos danosos. Entretanto, os achados dos presentes estudos são bastante relevantes, tanto sobre o ponto de vista clínico como sobre o ponto de vista de saúde pública. Como descrito anteriormente, o uso regular de maconha apresenta um risco potencial para o desenvolvimento de transtornos esquizofrênicos, particularmente em indivíduos vulneráveis. Mais ainda, esse risco parece estar diretamente relacionado à freqüência do uso de maconha, ou seja, jovens que iniciam o uso precocemente poderiam estar ainda mais vulneráveis aos efeitos danosos da droga. Iniciativas com o objetivo de reduzir o uso de maconha entre os jovens poderiam, portanto, ter um impacto positivo na prevenção de futuros casos de esquizofrenia. Campanhas que possam esclarecer esses achados para jovens, particularmente quando desenvolvidas de uma maneira criativa e envolvendo outros jovens, são necessárias e relevantes.

Referências

1. Carlini EA, Galduroz JCF, Noto AR, Nappo SA. Levantamento domiciliar sobre o uso de drogas psicotropicas no Brasil: estudo envolvendo 107 maiores cidades do país, 2001. São Paulo: Secretaria Nacional Antidrogas; 2002.

2. Andreasson S, Allebeck P, Engstrom A, Rydberg U. Cannabis and schizophrenia. A longitudinal study of Swedish conscripts. Lancet 1987;2(8574):1483-6.

3. Zammit S, Allebeck P, Andreasson S, Lundberg I, Lewis G. Self reported cannabis use as a risk factor for schizophrenia in Swedish conscripts of 1969: historical cohort study. BMJ 2002;325:1195.

4. van Os J, Bak M, Hanssen M, Bijl RV, de Graaf R, Verdoux H. Cannabis use and psychosis: a longitudinal population-based study. Am J Epidemiol 2002;156(4):319-27.

5. Arseneault L, Cannon M, Poulton R, Murray R, Caspi A, Moffitt TE. Cannabis use in adolescence and risk for adult psychosis: longitudinal prospective study. BMJ 2002;325:1212-3.

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-44462003000300003&script=sci_arttext

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25 Noviembre 2006

O Uso Medicinal da Maconha (Cannabis sativa)

Em resposta à pressão pública para a aprovação do uso medicinal da maconha, o órgão responsável pelo controle de medicamentos dos Estados Unidos (the Office of National Drug Control Policy, Washington,DC) patrocinou um estudo realizado pelo Institute of Medicine, que teve como autores o Dr. Stanley J. Watson, o Dr. John A. Benson e a Dra. Janet E. Joy.

Este tinha como objetivo avaliar as evidências científicas dos benefícios e dos riscos do uso da maconha na medicina. Baseou-se em conhecimentos científicos e populares e foi validado por especialistas no assunto. O estudo foi publicado na revista Archives of General Psychiatry de junho de 2000.

A principal finalidade deste estudo foi determinar o que é verdadeiro e o que é falso a respeito do efeito terapêutico da maconha. Ele consiste em uma revisão sobre os mecanismos e locais de ação da droga, bem como, a eficácia e falhas de seu uso medicinal. Inclui também uma análise dos efeitos crônicos e agudos da maconha, sendo comparados os seus efeitos adversos com os de outras drogas já padronizadas.

A biologia da maconha

O conhecimento a respeito da neurobiologia da maconha vem mudando dramaticamente na última década. Foram descobertos dois tipos de receptores (estruturas orgânicas que se ligam aos componentes químicos da maconha e permitem sua ação dentro das células), que receberam o nome de CB1 e CB2, estes se localizam principalmente no cérebro e nas células do sistema imune.

Dentro do cérebro, estes receptores estão concentrados no sistema límbico, no córtex cerebral, no sistema motor e no hipocampo. Essas localizações explicam, em parte, os sintomas provocados pela maconha, como as alterações do estado mental, as mudanças de humor e as alterações da coordenação motora.

Seus efeitos sobre o sistema imune ainda não são bem conhecidos.

O papel da maconha na dor

Evidências de pesquisas em animais e em homens indicam que a maconha pode produzir um efeito analgésico importante. Porém, mais estudos devem ser feitos para estabelecer a magnitude e a duração deste efeito, nas diversas condições clínicas. Os pacientes que poderiam ser beneficiados com o uso dessa droga seriam aqueles em uso de quimioterapia, em pós-operatório, com trauma raquimedular (lesão da coluna vertebral com acometimento da medula), com neuropatia periférica, em fase pós-infarto cerebral, com AIDS, ou com qualquer outra condição clínica associada a um quadro importante de dor crônica.

Quimioterapia induzindo náuseas e vômitos

Muitos oncologistas e pacientes defendem o uso da maconha, ou do THC (seu principal componente já estudado) como agente antiemético. Mas quando comparada com outros agentes, a maconha tem um efeito menor do que as drogas já existentes. Contudo, seus efeitos podem ser aumentados quando associados com outros antieméticos. Dessa maneira, o uso da cannabis na quimioterapia pode ser eficiente em pacientes com náuseas e vômitos não controlados com outros medicamentos.

Desnutrição e estimulação do apetite

Os estudos sobre os efeitos da maconha sugerem que esta droga pode ser importante no tratamento da desnutrição e da perda do apetite em pacientes com AIDS ou câncer. Mas outros medicamentos são mais efetivos do que a maconha, portanto, os autores recomendam pesquisas mais aprofundadas para avaliar a ação da maconha nesses pacientes.

Espasmo Muscular

Como já foi dito anteriormente, a maconha afeta o movimento, e estudos tem demonstrado que ela pode ajudar no controle do espasmo muscular (encontrado na esclerose múltipla ou no traumatismo raquimedular).

Mas as pesquisas que avaliaram essa capacidade da maconha devem ser analisadas com cuidado, uma vez que, outros sintomas associados a estas doenças, como a ansiedade, podem aumentar os espasmos, e nesse caso, a maconha poderia ter sua ação diminuindo a ansiedade e não controlando o espasmo propriamente dito. Por isso, os autores acreditam que mais estudos devem ser realizados para se confirmar esse efeito da maconha.

Movimentos desordenados

Estudos em animais demonstram que o uso da maconha pode estimular os movimentos em doses baixas e pode inibí-los em doses altas. Esta característica pode ser importante para o desenvolvimento de tratamentos para as desordens motoras na doença de Parkinson. Os autores acreditam que novos estudos devem ser feitos para avaliar a quantidade exata da droga que pode ser eficiente no tratamento dessa condição.

Epilepsia

O principal objetivo do tratamento da epilepsia é impedir completamente as crises. Os estudos a esse respeito ainda estão se iniciando, e muitas vezes as crises não foram inibidas com o uso da maconha, portanto, os autores acreditam que pesquisas com pessoas ainda não devem ser indicadas.

Glaucoma

Apesar do glaucoma ser uma das indicações mais citadas para o uso da maconha, os dados existentes não suportam esta indicação. A pressão alta intra-ocular é um dos fatores de risco para o desenvolvimento do glaucoma e a maconha poderia agir diminuindo esta pressão. Mas esse efeito é de curta duração e só é conseguido com altas doses da droga. Como as altas doses provocam muitos efeitos indesejáveis e as medicações já existentes são bastante efetivas e com efeitos colaterais mínimos, os autores acreditam que o uso da cannabis nessa condição ainda não está indicado.

Efeitos adversos

Os efeitos adversos da cannabis podem ser divididos em duas categorias: os efeitos do hábito de fumar crônico e os efeitos do THC. O fumo crônico da maconha provoca alterações das células do trato respiratório, e aumentam a incidência de câncer de pulmão entre os usuários. Os efeitos associados ao longo tempo de exposição ao THC são a dependência dos efeitos psicoativos e a síndrome de abstinência com a cessação do uso. Os sintomas da síndrome de abstinência incluem agitação, insônia, irritabilidade, náusea e cãibras.

Alguns autores sugerem que a maconha é uma porta de entrada para outras drogas ilícitas. Mas ainda não existem estudos científicos que comprovem essa hipótese. E outras drogas como o tabaco e o álcool, na verdade, são as primeiras drogas a serem usadas antes da maconha.

Conclusão

Resumindo, os dados indicam um efeito terapêutico modesto, particularmente, no controle da dor, alívio de náuseas e vômitos, e estimulação do apetite. Seus efeitos foram melhores estabelecidos para o THC. Mas a maconha possui vários outros componentes que não tem seus efeitos estudados, e que podem trazer muitos riscos.

Os dados atuais não afastam e nem dão suporte para a hipótese de que o uso medicinal da maconha poderia aumentar o uso ilícito dessa droga. Ao final do estudo os autores concluíram que o futuro do uso terapêutico da maconha está associado com o desenvolvimento de substâncias puras, e não com o fumo da mesma.

Fonte: Arch Gen Psychiatry 2000;57:547-552 – Vol.57 No. 6, june 2000.

Copyright © 2000 eHealth Latin America

http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm?LibDocID=3677&ReturnCatID=1796

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25 Noviembre 2006

Portugal tem o haxixe mais barato da Europa e a Noruega o mais caro

Portugal é o país da União Europeia onde a ca nnabis é mais barata, à média de 2,3 euros por grama, longe dos 12 euros pratica dos na Noruega, ou dos cinco a dez mencionados na maioria dos Estados.

Portugal é o país da União Europeia onde a ca nnabis é mais barata, à média de 2,3 euros por grama, longe dos 12 euros pratica dos na Noruega, ou dos cinco a dez mencionados na maioria dos Estados.

De acordo com o relatório anual do Observatório Europeu da Droga e da T oxicodependência (OEDT), hoje divulgado em Bruxelas, "embora os preços da droga revelem uma tendência global decrescente em toda a Europa, registam-se variações consideráveis entre os vários países".

"Embora, em regra, a maioria dos países tenha comunicado preços para a resina de cannabis entre cinco e 10 euros por grama, podem encontrar-se preços d e apenas 2,3 euros/grama em Portugal e superiores a 12 euros na Noruega", revela o OEDT, que pela primeira vez inclui no seu relatório anual uma análise das ten dências entre 1999 e 2004 dos preços de venda de drogas nas ruas europeias.

O "Relatório Anual sobre a Evolução do Fenómeno da Droga na Europa", qu e contém dados de 25 Estados-membros, da Noruega, Bulgária, Roménia e Turquia, i ndica que "o preço de venda de drogas ilícitas nas ruas da Europa baixou nos últ imos cinco anos e é provável que as drogas estejam agora mais baratas do que nun ca, em toda a Europa".

Este estudo é o primeiro do género realizado a nível europeu.

Em toda a Europa, no período em estudo, os preços da resina de cannabis (vulgo haxixe) baixaram 19 por cento (%), o da cannabis herbácea 12%, da cocaín a 22% e da heroína castanha 45%, bem como o das anfetaminas (menos 20%) e do ecs tasy (menos 47%) baixaram em toda a Europa.

Todos os preços foram indexados à inflação para uma avaliação mais prec isa dos valores "reais", explica o OEDT.

A agência europeia de informação sobre droga, sedeada em Lisboa, explic a que "os preços das drogas podem ser influenciados por diversos factores, nomea damente as flutuações da oferta, o grau de pureza, o tipo de produto e as quanti dades transaccionadas".

"A análise dos preços torna-se ainda mais difícil devido à natureza ocu lta do mercado de drogas ilícitas e às variações nacionais em termos de qualidad e dos dados e de métodos utilizados na recolha dos mesmos", indica o documento.

O OEDT refere que os dados actuais não revelam qualquer relação directa entre a baixa dos preços das drogas e a flutuação ou tendência de aumento das a preensões de droga, no mesmo período de cinco anos, nem uma relação imediata ent re o preço e os níveis globais de consumo das drogas.

Contudo, a panorâmica hoje apresentada oferece uma base sólida para imp ortantes trabalhos futuros a realizar pelo Observatório e pelos Estados-Membros da UE visando uma melhor compreensão da dinâmica do mercado europeu de drogas il ícitas e a avaliação do impacto das medidas de redução da oferta e da procura.

Os preços da forma mais comum de heroína (a heroína castanha) do Sudoes te Asiático variavam entre 12 euros por grama na Turquia e os 141 euros por gram a na Suécia.

Comentando os dados hoje apresentados, o presidente do OEDT, Marcel Rei men, sublinhou: "O preço é apenas um de muitos factores que influenciam a decisã o das pessoas de consumir drogas e, presentemente, não encontramos uma relação i mediata entre os níveis gerais de consumo e o preço das drogas ao nível da rua.

"No entanto, não podemos deixar de sentir preocupação por, em toda a Eu ropa, as drogas estarem a ficar mais baratas em termos reais", disse, acentuando que "se isto significar que as pessoas com tendência para consumir drogas as co nsumirão mais, o custo final do consumo de droga em termos de cuidados de saúde e de danos causados às nossas comunidades poderá ser considerável." O relatório da agência europeia dá também conta de um aumento das apreensões e da produção d e heroína consumida na Europa, que é maioritariamente produzida no Afeganistão, que continua a ser o principal fornecedor mundial de ópio ilícito (estimado em 4 .100 toneladas - 89 por cento da produção do ópio ilícito).

Os últimos dados da agência das Nações Unidas para a droga (UNODC) esti mam que os recentes aumentos da produção significam que a oferta mundial poderá já ser superior à procura mundial.

Em 2004, estima-se que 46.000 apreensões europeias permitiram apreender 19 toneladas de heroína, um aumento superior a 10% em relação ao volume apreend ido em 2003, adianta o OEDT.

De acordo com o director executivo do OEDT, Wolfgang Gotz, "a heroína j á não está na moda e, em geral, a população de consumidores problemáticos que re correm aos serviços de tratamento e assistência está a envelhecer".

"Porém, a natureza epidémica dos problemas de droga ensinou-nos que pod erá acontecer que uma nova geração de jovens se torne vulnerável ao consumo de h eroína e, por isso, não podemos ignorar os perigos suscitados por um excedente c ada vez maior de heroína no mercado mundial de drogas ilícitas".

No que se refere à cocaína, o OEDT revela um aumento da produção mundia l e uma diversificação das rotas de importação.

O documento estima que, em 2004, a produção mundial de cocaína aumentou para cerca de 687 toneladas, sendo a Colômbia (56%), o Peru (28%) e a Bolívia ( 16%) os principais países fornecedores.

A maior parte da cocaína apreendida na Europa entra no continente vinda da América do Sul, ou através de países da América Central ou das Caraíbas, emb ora os países africanos estejam a ser cada vez mais utilizados como rotas de trâ nsito alternativas.

Dados preliminares indicam que em 2004 foram apreendidas cerca de 74 to neladas de cocaína na Europa, a maior parte em países ocidentais.

A Península Ibérica continua a ser uma importante porta de entrada para a cocaína, tendo mais de metade dessas 74 toneladas sido apreendida em Espanha ou Portugal. A quantidade de cocaína apreendida em Portugal aumentou para mais d o dobro entre 2003 e 2004 (de 3.017 quilos para 7.423 quilos).

Em 2004, a Espanha foi responsável por cerca de metade do número total de apreensões e também, por grande diferença, pelos maiores volumes de droga apr eendida (33.135 kg).

A cocaína mantém um consumo "historicamente elevado, mas com grandes va riações a nível europeu".

O OEDT calcula que cerca de 10 milhões de europeus (mais de 3% dos adul tos com idades compreendidas entre 15 e 64 anos) já consumiram cocaína, sendo pr ovável que aproximadamente 3,5 milhões a tenham consumido no último ano (1%).

Em valores absolutos, a cocaína já ocupa na Europa o segundo lugar como droga ilícita mais consumida, a seguir à cannabis e ligeiramente acima das anfe taminas e do ecstasy.

O OEDT está preocupado com a sub-notificação de muitas mortes relaciona das com o consumo de cocaína e com o facto de essa droga poder agravar os proble mas cardiovasculares.

No que se refere às mortes relacionadas com o consumo de droga em geral , o Observatório considera que a "tendência decrescente poderá estar a enfraquec er".

Nos seus dois últimos relatórios anuais, o OEDT registou uma diminuição constante das mortes por intoxicação aguda relacionada com o consumo de droga, a partir de 2000 - 2001 (6%), 2001 - 2002 (13%) e 2002 - 2003 (7%), possivelment e devido a um maior acesso ao tratamento e às medidas de redução dos danos, bem como a uma menor prevalência do consumo problemático de droga.

No relatório hoje apresentado, todavia, o Observatório adverte para os "indicadores preocupantes" de que esta tendência decrescente, desde 2000, no núm ero de mortes relacionadas com o consumo de droga possa estar a enfraquecer, já que nos dados disponíveis para 2003 - 2004 o número de mortes notificadas aument ou três por cento.

"Ainda é cedo para avaliar se estas pequenas alterações prenunciam uma mudança a longo prazo", afirma o Observatório, mas é preocupante que 13 dos 19 p aíses que comunicaram dados tenham registado algum aumento.

Na Europa, são anualmente notificadas, em média, 7.000 a 8.000 mortes r elacionadas com o consumo de droga.

http://acorianooriental.sapo.pt/noticia.asp?pid=17&nid=97056

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25 Noviembre 2006

PESQUISA MOSTRA QUE 22,8% DE BRASILEIROS JÁ UTILIZARAM DROGAS

Na comparação com levantamento de 2001, houve crescimento de 3,4 pontos percentuais

Tiago Pariz, do G1, em Brasília

Pesquisa divulgada nesta sexta-feira (24) da Secretaria Nacional Antidrogas, órgão ligado à Presidência da República, mostrou que o percentual de pessoas que disseram utilizar drogas pelo menos uma vez cresceu na comparação entre 2005 e 2001, último ano que o levantamento foi realizado.

Entre os entrevistados, 22,8% responderam que utilizaram drogas, em 2005, contra 19,4% na pesquisa de 2001. O percentual exclui o uso de tabaco e álcool. O resultado é parecido com o aferido no Chile, de 23,4%, e bem abaixo dos Estados Unidos, onde 45,8% dizem que utilizaram entorpecentes pelo menos uma vez na vida.

Sobre dependência de drogas, a pesquisa identificou que 12,3% preferem o álcool, 10,1% o tabaco e 1,4%, a maconha. Todos os números da pesquisa de 2005 cresceram em relação ao levantamento anterior. O aumento percentual da dependência de álcool e de tabaco foi de 1,1 ponto percentual, enquanto da maconha foi de 0,4 ponto percentual, sobre a pesquisa de 2001.

Realizada em parceria com a Escola Paulista de Medicina, o levantamento concluiu que houve crescimento no uso esporádico de nove drogas, entre elas álcool, tabaco, maconha, solventes, orexígenos, benzodiazepínicos (medicamentos para emagrecer), cocaína, xaropes e estimulantes.

O aumento mais expressivo é no álcool. Entre os entrevistados 74,6% responderam tê-lo utilizado pelo menos uma vez, 5,9 pontos percentuais superior a pesquisa realizada em 2001. Em relação à maconha, 8,8% disseram que já a utilizaram no mínimo uma vez, alta de 1,9 ponto. O uso único de cocaína cresceu 0,6 ponto, atingindo 2,9% dos entrevistados.

Para a secretaria, o aumento de 3,4 pontos percentuais entre uma pesquisa e outra é um desvio estatístico e não se pode concluir que mais brasileiros usaram drogas em 2005 na comparação com 2001.

A preocupação da secretaria está nos medicamentos para emagrecer. O secretário nacional Paulo Roberto Uchoa afirmou que a Agência de Vigilância Sanitária tem feito um controle mais rígido da demanda dos benzodiazepínicos. O coordenador do levantamento, Elisaldo Carlini, disse que o Brasil deveria proibir o uso desses medicamentos, com uma legislação parecida com a de Portugal.

A Secretaria Nacional Antidrogas assinou um acordo de cooperação com o Instituto de Droga e Toxicodependência (IDT), do governo de Portugal. Pelo acordo, o Brasil quer implementar a Rede de Pesquisa sobre Drogas para aumentar os estudos científicos sobre drogas.

O Levantamento Domiciliar sobre Uso de Drogas Psicotrópicas ouviu pouco mais de 4 mil pessoas de 12 a 65 anos em 108 cidades com mais de 200 mil habitantes ao longo do ano de 2005.

http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,AA1362447-5598,00.html

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